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Quando o fim de ano pesa mais do que encanta para crianças autistas

  • Foto do escritor: Jésus Fillipi
    Jésus Fillipi
  • 17 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura
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O fim de ano costuma ser associado a alegria, encontros e celebrações. Para muitas famílias, é um período esperado com carinho. Mas, para crianças autistas, esse mesmo cenário pode se transformar em um ambiente de intenso sofrimento emocional e sensorial.


Mudanças bruscas na rotina, viagens, horários irregulares, casas cheias, sons altos, luzes piscando e várias conversas ao mesmo tempo criam um excesso de estímulos difícil de processar. O que para alguns é festa, para outros pode ser confusão, medo e sobrecarga.


O que acontece durante a sobrecarga sensorial


Crianças no espectro autista possuem maior sensibilidade a estímulos sensoriais. Quando o cérebro recebe informações demais ao mesmo tempo e não consegue organizá-las, surgem sinais como irritabilidade, choro intenso, isolamento, agitação ou crises mais intensas.


Essas reações não são birra, desobediência ou falta de limites. Elas são uma resposta do corpo e da mente tentando lidar com um ambiente que se tornou insuportável naquele momento.


Acolher é mais importante do que exigir


Em períodos como Natal e Ano Novo, o acolhimento precisa vir antes de qualquer cobrança. Forçar interação social, insistir em permanência em ambientes barulhentos ou minimizar o desconforto da criança só aumenta o sofrimento.


Atitudes simples fazem grande diferença, como respeitar pausas, permitir que a criança se afaste quando necessário, oferecer um espaço tranquilo e previsível, reduzir estímulos sempre que possível e proteger a criança de comentários invasivos ou comparações inadequadas.


O papel da família e dos adultos ao redor


A família e os adultos presentes têm um papel essencial na proteção emocional da criança autista. Preparar o ambiente, explicar previamente como será o dia, validar sentimentos e agir como mediadores sociais ajuda a tornar as festas menos dolorosas e mais seguras.


Quando o adulto acolhe, a criança sente que não precisa se defender o tempo todo. Isso reduz crises e fortalece o vínculo emocional.


Quando buscar ajuda profissional


Se as crises se tornam frequentes, intensas ou se estendem para além das festas, é importante buscar acompanhamento especializado. A neuropsicologia ajuda a compreender os gatilhos da sobrecarga sensorial, desenvolver estratégias personalizadas e orientar a família sobre como lidar com essas situações de forma mais saudável.


Cuidar da saúde emocional da criança também é uma forma de amor. Nem todo Natal precisa ser barulhento para ser significativo. Às vezes, o maior presente é o respeito, o silêncio e o acolhimento no tempo certo.


 
 
 

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