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Por que o cérebro autista sente o mundo com tanta intensidade?

  • Foto do escritor: Jésus Fillipi
    Jésus Fillipi
  • 14 de nov. de 2025
  • 2 min de leitura

Entenda, de forma humana e baseada na neurociência, como o processamento sensorial acontece no autismo, por que pequenos estímulos podem se tornar gigantes e como o acolhimento transforma a experiência de quem vive nesse mundo em alto volume.

✅ Quando o mundo vem alto demais: o que muitas pessoas não enxergam:

Imagine viver com o volume sempre no máximo. O som da geladeira não passa despercebido. A etiqueta da roupa incomoda como se arranhasse a pele. O cheiro do perfume invade, sufoca e desorganiza. O diálogo ao redor, ao invés de ser “apenas ruído de fundo”, chega ao cérebro como se todas as vozes disputassem prioridade ao mesmo tempo.


Para muitas pessoas autistas, essa é a experiência do cotidiano: o mundo não chega filtrado, ele chega inteiro.

E é por isso que compreender a intensidade sensorial é um passo essencial para acolher. Não se trata de exagero, de “falta de limite”, nem de sensibilidade emocional frágil. Trata-se de neurobiologia.

✅ Afinal, o que significa sentir “intensamente”?:

Em um cérebro típico, existe um filtro natural que ajuda a ignorar o que não importa. Já no cérebro autista, esse filtro pode funcionar de forma diferente, processando estímulos com a mesma intensidade, o que gera:

- hipersensibilidade (quando tudo chega forte demais);

- hipossensibilidade (quando o cérebro precisa de mais estímulo para entender);

- Não é “drama”. Não é escolha. É funcionamento neurológico.


✅ O cérebro autista e a integração sensorial:

Pesquisas mostram diferenças na integração sensorial, área que interpreta informações recebidas pelos sentidos. Quando essa integração não está organizada, o cérebro perde a hierarquia do que é relevante: tudo chega com o mesmo peso.


Resultado: estímulos que para a maioria passam despercebidos ganham intensidade avassaladora.

✅ Os sentidos que gritam: os 8 sistemas sensoriais:

A vivência autista pode envolver os 8 sistemas sensoriais (e não apenas 5):

- Audição: sons comuns podem ser dolorosos;

- Visão: ambientes visuais poluídos causam exaustão;

- Olfato: cheiros fortes desestabilizam;

- Paladar: seletividade alimentar é defesa, não teimosia;

- Tato: alguns toques podem agredir;

- Vestibular: busca ou evitação de movimento;

- Propriocepção: movimentos repetitivos acalmam;

- Interocepção: dificuldade em perceber fome, sede ou dor.


✅ Sobrecarga sensorial: quando o corpo entra em modo sobrevivência:

A sensory overload (sobrecarga sensorial) acontece quando o sistema nervoso não consegue mais processar estímulos. O cérebro interpreta o ambiente como ameaça e ativa respostas involuntárias de sobrevivência.

Sintomas comuns:

- irritabilidade; fuga; colapso emocional; bloqueio; choro; ansiedade.


✅ Meltdown x Shutdown: o auge do excesso:

Meltdown: explosão emocional. O corpo reage para fora — gritos, choro, descontrole

Shutdown: implosão emocional. O corpo desliga — silêncio, retraimento, mutismo

Nenhum deles é escolha. Ambos são respostas neurológicas de desespero e precisam de acolhimento, não punição.

✅ O ambiente pode ferir… ou pode proteger.

- reduza estímulos; fale menos; fique por perto; garanta segurança; não toque sem permissão; respeite o tempo da regulação

✅ Rede de apoio: ninguém regula sozinho:

Família, escola e profissionais precisam caminhar alinhados. Quando o ambiente entende, o comportamento responde.


Se você faz parte dessa jornada, como pai, mãe, familiar, professor ou adulto autista, lembre-se: acolher transforma trajetórias. A neuropsicologia caminha ao lado, oferecendo ciência, compreensão e respeito.

 
 
 

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