E se o TDAH do seu filho fizer você olhar para a sua própria história?
- Jésus Fillipi
- há 5 horas
- 2 min de leitura

Às vezes, a investigação do TDAH começa com uma criança, mas acaba trazendo respostas importantes também para os pais.
É comum que, durante a avaliação neuropsicológica de um filho, mães e pais percebam comportamentos que parecem familiares: dificuldade para se organizar, procrastinação, esquecimentos frequentes, dificuldade para concluir tarefas, impulsividade ou aquela sensação constante de inquietação interna.
Isso não significa que todo pai ou mãe de uma criança com TDAH tenha o transtorno. Mas pode ser um sinal de que vale a pena olhar para a própria história com mais atenção.
TDAH também pode estar presente na vida adulta
O TDAH não desaparece necessariamente com a idade. Em muitos casos, os sintomas continuam presentes na adolescência e na vida adulta, mas podem se manifestar de maneiras diferentes ou ser compensados por estratégias desenvolvidas ao longo dos anos.
Um adulto pode, por exemplo, ter aprendido a criar listas para não esquecer compromissos, trabalhar sob pressão para conseguir cumprir prazos ou depender de uma rotina muito estruturada para manter as tarefas em ordem.
Por isso, algumas pessoas passam décadas acreditando que são apenas desorganizadas, distraídas, procrastinadoras ou “sem disciplina”, quando, na realidade, podem estar lidando com características relacionadas ao TDAH.
E existe uma relação com a genética?
Sim. O TDAH apresenta forte componente genético, o que significa que a presença do transtorno na família pode aumentar a probabilidade de outros familiares também apresentarem características relacionadas.
Mas genética não significa destino. O desenvolvimento do TDAH é complexo e envolve a interação entre fatores genéticos e ambientais.
Por isso, quando uma criança recebe uma avaliação ou diagnóstico de TDAH, também pode ser interessante que os pais observem a própria história e, diante de sinais persistentes, busquem uma avaliação profissional.
Olhar para a família pode transformar a forma de lidar com o TDAH
Quando os adultos compreendem melhor o funcionamento do TDAH, fica mais fácil separar comportamento de intenção.
A criança que esquece uma tarefa nem sempre está sendo desinteressada. O adolescente que procrastina pode não estar simplesmente “com preguiça”. E o adulto que vive perdendo prazos pode estar enfrentando dificuldades reais de planejamento, organização e autorregulação.
Com informação e acompanhamento adequado, a família pode desenvolver estratégias mais funcionais para o cotidiano, além de construir relações com mais compreensão e menos culpa.
Se você se reconheceu na história do seu filho, isso não significa que você tenha TDAH. Mas pode ser um convite para investigar a sua própria história.
Uma avaliação neuropsicológica pode ajudar a compreender melhor essas características e indicar os próximos passos.




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